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Sentir

14.2.16


A razão de eu publicar meus escritos na internet é muito simples: acredito que palavras precisam ser compartilhadas. Para mim, a parte mais legal de escrever é ver que as outras pessoas que leram se identificaram, gostaram, se emocionaram. Não há sentido, para mim, em transformar meus sentimentos em palavras e depois deixar elas guardados apenas comigo. Quando os transformo em palavras, preciso que voem por aí e encontrem outros corações. Preciso que minhas palavras sejam mais do que vistas por outras pessoas, preciso que sejam sentidas.
Ontem acabei a leitura de “Toda luz que não podemos ver”, um tocante livro de Anthony Doerr. É um livro cuja história se passa durante a segunda guerra mundial, que possui dois protagonistas: uma garota francesa e um garoto alemão. As histórias de ambos são narradas e, em determinado ponto do livro, se cruzam. É um livro apaixonante, de verdade. Pois bem, a protagonista francesa se chama Marie-Laure, e é cega. Não nasceu cega, mas, ainda quando criança, sua visão foi ficando cada vez pior até que ela lhe perdeu.
Eu sempre tive um grande medo de perder a visão, o movimento das pernas, a audição... Qualquer sentido. Pensei que seria impossível para mim, tão acostumada com eles, ser feliz se algum fosse, em determinado momento, tirado de mim. Mas então, conheci Marie-Laure, que, mesmo perdendo a visão, adequou-se a sua nova situação. Ela não podia ver as coisas, mas podia senti-las. Sentir aquela flor em seus dedos, sentir o mar em seus pés, sentir o cheiro de um pão fresco. Claro, a personagem tem suas dificuldades e limitações, mas as sensações, estar viva, lhe torna feliz, lhe torna completa.
Se um dia, a visão nos for roubada, ainda poderemos sentir. Se a audição nos for roubada, ainda poderemos sentir. Se nossos movimentos das pernas forem roubados, ainda poderemos sentir. Ainda estaremos vivos. Ainda teremos consciência do mundo. Ainda sentiremos o cheiro de uma rosa, o gosto de um bolo, a água de uma cachoeira caindo em nossas mãos. Ainda poderemos ser felizes. Conseguiremos, foi isso que “Toda luz que não podemos ver” me ensinou, pois sentir é o que mais importa, a cima de absolutamente tudo.

Beijos, Taís K.

4 comentários:

  1. Suas palavras me tocaram. Foi ótimo senti-las!

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  2. Lindo texto! Você contou exatamente os sentimentos de um escritor com as palavras <3
    Independente de qualquer coisas ainda podermos sentir...

    Um abraço, dona-inconstancia.blogspot.com

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  3. querida, que surpresa gostosa é encontrar seu blog. justamente neste post em que você fala da escrita com a mesma paixão que sinto e acredito. compartilhar sentimentos é uma das principais razões para que eu siga escrevendo. quero que as pessoas me leiam, mas ainda mais que isso: quero que elas vivam comigo.
    este livro é lindo! foi um dos meus favoritos do ano passado e como você bem disse, nele encontramos toda a sensibilidade daqueles que dão valor... à vida!

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  4. ah moça, sem dúvidas... sabe, isso é como as peculiaridades da vida, não se dá tanto valor as pequenas coisas, aos pequenos momentos, as sensações, só se percebe isso quando nos é tirado algo, assim como algum dos sentidos, realmente... sentir é tudo, é o que resta no final, é o que começa tudo.

    muito bom seu texto, e vou procurar esse livro, atiçou-me agr.
    xoxoxo

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